“Tomar o poder por dentro”

Nós acreditamos que podemos mudar o sistema de poder por dentro, como se fossemos algum tipo de vírus. Mas olhemos quem conseguiu fazer isto. Olhemos o samba, a capoeira, os sistemas tradicionais de base afrikana. Vejamos quem agiu como vírus e quase tomou o corpo (os nossos, junto com a mente, mas acabou por lhe modificar as formas e muito do conteúdo). Faz ruir por dentro, retirando de nossos sistemas vitalidade, força e fundamento.

Para ação do vírus, é preciso vulnerabilidade do corpo, anti-corpos enfraquecidos. Com relação a nós, quando os toubobs estão desguarnecidos? Com guarda baixa? Eles agem como vírus, mas para nós agirmos dessa maneira em seus corpos (pensando as estruturas de poder construídas e gerenciadas por eles), temos de pressupor determinadas fraquezas que, por nossa condição, ainda não conseguimos aproveitar.

Antes de pensar em “tomar o sistema por dentro”, é preciso recuperar nossos corpos ainda infectados, fortalecê-los e expulsar o vírus. O corpo tem seus próprios sistemas de defesa. É preciso acioná-lo. É preciso ingestão de medicinas nossas. É preciso o estado febril, do combate interno.

Ele anseia por isto. Para quem sabe, se ter a condição necessária e vital para fazer o embate corpo a corpo.

Por Tago E. Dahoma (Thiago Soares), publicado dia 04 de dezembro.

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