Legislativo: o ator oculto nas eleições…

Nas eleições, todos os olhos vidrados na sucessão presidencial, e à raia miúda, pouca atenção aos legislativos, sobretudo o Congresso Federal. Quem de nós procura entender quais os mecanismos de eleição pra Câmara? Não se aprendeu nada após o “efeito Eduardo Cunha” e a virada de importância do Legislativo na gerência do país. Esse escroque mostrou como paspalhos numa panaceia conseguem acelerar ou trancar qualquer pauta, as de interesse próprio ou público.
 
As estratégias das esquerdas continuam pautadas no controle da máquina, ainda crendo que a distribuição do bolo (recursos e ministérios) entre a coligação satisfaz o apetite voraz da baixeza política no Congresso. Hoje eles sabem o poder que tem. Um impeachment mudou o padrão da relação senhorial entre Executivo e as casas legislativas. As fórmulas seguem o mesmo rito para uma temperatura e ambiente políticos completamente adversos dos encontrados nas eleições presidenciais anteriores.
 
A direita (lobby empresarial, rentista, agronegócio, bala, bíblia e outros tantos interesses) focam seus recursos nas eleições de deputados, pois podem ter um controle do mandato muito mais efetivo, e tendo o controle do mandato se direciona e pressiona as pautas, fortalecendo-as ou se colocando em contínua oposição. Em 2015, vimos o poder de bloqueio quando todas as medidas provisórias e projetos de lei enviadas pela presidente Dilma ao Congresso foram sumariamente barradas, gerando um “apagão” na condução do país.
 
Olho as esquerdas e a dúvida sobre a governabilidade caso conquistem o pleito presidencial ecoa cada vez mais forte. Uma ligeira impressão que pouco se aprendeu com um capítulo tão intenso na história recente do país.
 
O Legislativo deixou de ser apenas o lugar das negociatas parlamentares e bravatas. Desde 2015 tem fortalecido o seu poder como um efetivo player no cenário político decisório, e a maneira com que os pólos ideológicos em disputa tem se comportado frente a importância cada vez maior dessas casas tem marcado o sucesso ou fracasso político com relação às tomadas de decisões acatadas ou completamente rechaçadas.
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