O Horror também educa…

Seguindo com o mesmo tom nas análises sobre as eleições de 2018. O ódio e a extrema polarização é a tônica.

O nível de ódio aos quais estamos vivendo, só uma experiência traumática desativa. Vemos as pessoas falando de bala, que vai matar, mas não sabem o que é a real agonia, o que é o Horror. Tem coisas que só a dor pode fazer, que só a dor pode educar. Não há política pública, não há educação, não há negociação. É como algo consumido pelo fogo: ou vira cinzas ou se torna imprestável.

Aos que tem esperança de diminuir os níveis de violência por meio do voto, gostaria de exemplos históricos neste sentido. O apaziguamento só se dá dentro de uma arena no qual há opções que jamais serão utilizadas. Este nível foi ultrapassado.

Aos meus, sobreviver vai se tornar mais custoso, não importa quem seja o eleito. Se o bolsocrazy vencer, o faroeste, à caça indiscriminada vai tá valendo, então trate de se cuidar por todos os meios necessários; se Haddad ou Ciro vencer, os correligionários do bolso ainda estarão ativos, numa pegada permanente de mobilização contrária ao governo instituído, o que em termos políticos e econômicos, nos coloca em uma situação de extrema vulnerabilidade. A negociação colocaria o governo muito mais inclinado à barbárie pra obter apoios.

Por isso, se você luta, intensifique seus treinos; Se não, procure algum meio de manter-se alerta e em segurança.

Procure meios reais de se proteger. Nossa carne é a mais barato do mercado desde sempre e pro próximo período, a desvalorização vai se intensificar ainda mais.

Que façamos que ela seja dura, mas difícil de engolir e digerir.

Tago Elewa Dahoma (Thiago Soares), 04 de outubro de 2018

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Legislativo: o ator oculto nas eleições…

Nas eleições, todos os olhos vidrados na sucessão presidencial, e à raia miúda, pouca atenção aos legislativos, sobretudo o Congresso Federal. Quem de nós procura entender quais os mecanismos de eleição pra Câmara? Não se aprendeu nada após o “efeito Eduardo Cunha” e a virada de importância do Legislativo na gerência do país. Esse escroque mostrou como paspalhos numa panaceia conseguem acelerar ou trancar qualquer pauta, as de interesse próprio ou público.
 
As estratégias das esquerdas continuam pautadas no controle da máquina, ainda crendo que a distribuição do bolo (recursos e ministérios) entre a coligação satisfaz o apetite voraz da baixeza política no Congresso. Hoje eles sabem o poder que tem. Um impeachment mudou o padrão da relação senhorial entre Executivo e as casas legislativas. As fórmulas seguem o mesmo rito para uma temperatura e ambiente políticos completamente adversos dos encontrados nas eleições presidenciais anteriores.
 
A direita (lobby empresarial, rentista, agronegócio, bala, bíblia e outros tantos interesses) focam seus recursos nas eleições de deputados, pois podem ter um controle do mandato muito mais efetivo, e tendo o controle do mandato se direciona e pressiona as pautas, fortalecendo-as ou se colocando em contínua oposição. Em 2015, vimos o poder de bloqueio quando todas as medidas provisórias e projetos de lei enviadas pela presidente Dilma ao Congresso foram sumariamente barradas, gerando um “apagão” na condução do país.
 
Olho as esquerdas e a dúvida sobre a governabilidade caso conquistem o pleito presidencial ecoa cada vez mais forte. Uma ligeira impressão que pouco se aprendeu com um capítulo tão intenso na história recente do país.
 
O Legislativo deixou de ser apenas o lugar das negociatas parlamentares e bravatas. Desde 2015 tem fortalecido o seu poder como um efetivo player no cenário político decisório, e a maneira com que os pólos ideológicos em disputa tem se comportado frente a importância cada vez maior dessas casas tem marcado o sucesso ou fracasso político com relação às tomadas de decisões acatadas ou completamente rechaçadas.