Crise na Venezuela e os avais da guerra..

Afora a incapacidade do Maduro, você já se perguntou do porquê da crise na Venezuela? De como as sanções formam crises e necessidades na população para que o governo seja culpado pela mesma? Dos jornais brasileiros seguirem um script que direcionam a opinião pública para um desfecho que pode ser até mesmo violento? Ou ninguém se pergunta da extrema xenofobia em Roraima de poucos meses atrás se transformar em aceitação dos fugitivos do regime?
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De “presidente” Maduro, transforma-se em ditador.. a alcunha já impõe o sentido moral e politicamente negativo, e essas mudanças foram as chaves introdutórias para as invasões e golpes que vieram em seguida: Síria, Líbia, Egito.
A guerra para introduzir a paz e debelar a crise(intensificada externamente) tem sido o novo modelo de guerras e conflitos instituído ainda por Bush filho, desde a guerra contra o Iraque. Por isso a crise, o caos, as notícias de desgraças são tão importantes: servem como chaves cognitivas que possibilitam o aval para uma ação violenta, no que num estado de maior controle, todos seriam contra.

Esse modelo de intervenção não é nem um pouco novo. Para referenciar a Conferência de Berlim (1885) e a partilha do Continente-Mãe entre as potências brancas, foi feita ma intensa campanha publicitária mostrando o primitivismo e o caos reinante em Áfrika, restando aos brancos, “supra-sumo da civilização”, a tarefa de civilizar aquela terra e aquela gente sem deus. Nesse contexto que o poema “O fardo do homem branco” (1899),  do britânico rudyard kypling surge e mostra em quais premissas (falsas) se baseia as intervenções dos brancos, fazendo assim uma ode ao colonialismo. Assim, se tem buscado argumentos que mostrem a nobreza da ação, quando se escondem os reais interesses para a mesma. No caso venezuelano, o argumento é o sofrimento do povo, a fome, o desabastecimento, a violência do governo. Mas no fundo, pouco disso importa, já que o foco é apenas a destituição de Maduro.

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A pergunta a ser feita é: qual dos países acima citados estão numa posição melhor depois que estas chaves foram utilizadas e esses avais foram dados?
É preciso pensar pra onde se tem apontado como solução. O bloqueio diplomático a Maduro e a aceitação do auto-proclamado presidente Guaidó arrefece a crise, mas no médio e longo prazo, para onde leva a Venezuela? Qual será o futuro do legado chavista nesta perspectiva solucionadora que se tem apontada? Nada se aproveita? Questões que devem guiar quem se interessa pelo futuro do país vizinho, seja com Maduro ou sem ele na presidência do país. E o bendito petróleo e a reserva venezuelana, que parece infinita?
A Venezuela é o novo palco de uma guerra fria que tem se desenvolvido com o declínio dos estados unidos como única superpotência, mas ainda com influência, principalmente no seu “quintal” americano, ainda mais no brasil-bolsonarista-trumpetista e o aumento de poder e influência de china em combinação com a rússia. Áfrika é palco destes embates já não tão subterrâneos, assim como o Haiti e suas ruas, que já pedem intervenção russa no país como contraponto aos americanos.

O xadrez geopolítico está se movendo, como as placas tectônicas e seus atritos sob a superfície terrestre. No entanto, as vítimas destes choques parecem ser as mesmas, por mais que se altere as forças de quem pressiona.

Por: Thiago A. S. Soares (Tago Elewa Dahoma)

Texto escrito em 27 de fevereiro de 2019.

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O Teto de vidro e a popularidade-fumaça..

Se quem manda nessa birosca são os rentistas, to imaginando o veneno que este escandâlo com o filho do B.O. deve ter causado nessa turba. A popularidade do B.O. e família é gelo seco no calor do hell de janeiro: vai virar fumaça em curtíssimo tempo. O novelo com esse caso do b.o. júnior vai enredar todo mundo, e desse saco vai sair muito mais surpresas.

Não dá pra colocar esse escândalo como cortina de fumaça, já que a base de suporte do B.O. é instável, assim como tá muito fracionada as forças políticas no Congresso. Pra maré virar, pra não apoiarem a Reforma da Previdência, legado do último goberno em conluio com o mercado financeiro e principal motivo para apoiarem o capitão, é dois palitos. O apoio ao B.O. foi feito alheio á sua participação, sendo ele uma catarse de sentimentos, de ideias vis. Por ser a expressão de um sentimento, ele não é insubstituível. Basta ver o racha da bancada de seu partido (PSL), que mais parece uma rinha de galos de tão unidos.

Impossível as mídias hegemônicas não saberem destes podres da família. Uma investigação com mais empenho  e tinham descoberto as primeiras falcatruas da família B.O., se pá do pai nos seus primeiros anos como deputado. Cuidado num parece ser o melhor atributo do pai, tampouco dos filhos. Acabou que usaram o arsenal a partir da guerra que o próprio B.O. travou com as emissoras e jornais, mas o uso destas denúncias -e aí que ta o pulo do gato – tinham um momento exato: após ele ganhar a eleição, impedindo assim a volta do partido dos trabalhadores ao poder. Importava ele ganhar, ganhar o plano que lhe dá sustentação política – ruralistas, financistas, rentistas, e a renca que representa a ala pobre, mas vigorosa com os políciais e evangélicos- para que depois, se abrisse o rosário de seus pecados e de sua família.

Veremos o fritar de um governo. Com uma base instável e com um escandâlo que corre o risco de fazer a debandada da posição antes mesmo da nova legislatura começar.

A questão não é “se” vai cair, mas “quando”.

Mourão espreita, sem nada a temer. assim como o ex-vice-presidente.

Por: Tago E. Dahoma (Thiago Soares), 21 de janeiro de 2019.

O Horror também educa…

Seguindo com o mesmo tom nas análises sobre as eleições de 2018. O ódio e a extrema polarização é a tônica.

O nível de ódio aos quais estamos vivendo, só uma experiência traumática desativa. Vemos as pessoas falando de bala, que vai matar, mas não sabem o que é a real agonia, o que é o Horror. Tem coisas que só a dor pode fazer, que só a dor pode educar. Não há política pública, não há educação, não há negociação. É como algo consumido pelo fogo: ou vira cinzas ou se torna imprestável.

Aos que tem esperança de diminuir os níveis de violência por meio do voto, gostaria de exemplos históricos neste sentido. O apaziguamento só se dá dentro de uma arena no qual há opções que jamais serão utilizadas. Este nível foi ultrapassado.

Aos meus, sobreviver vai se tornar mais custoso, não importa quem seja o eleito. Se o bolsocrazy vencer, o faroeste, à caça indiscriminada vai tá valendo, então trate de se cuidar por todos os meios necessários; se Haddad ou Ciro vencer, os correligionários do bolso ainda estarão ativos, numa pegada permanente de mobilização contrária ao governo instituído, o que em termos políticos e econômicos, nos coloca em uma situação de extrema vulnerabilidade. A negociação colocaria o governo muito mais inclinado à barbárie pra obter apoios.

Por isso, se você luta, intensifique seus treinos; Se não, procure algum meio de manter-se alerta e em segurança.

Procure meios reais de se proteger. Nossa carne é a mais barato do mercado desde sempre e pro próximo período, a desvalorização vai se intensificar ainda mais.

Que façamos que ela seja dura, mas difícil de engolir e digerir.

Tago Elewa Dahoma (Thiago Soares), 04 de outubro de 2018

As balas enquanto a política do (não) diálogo

Por: Tago E. Dahoma

Eu to querendo saber em que país se pacificou uma situação de ódio sem ser por conflito armado. Em quais lugares uma clivagem tão forte foi amansada em uma união pelo jogo democrático, nas urnas, sem antes haver o choque armado. Uma dúvida real e que parece estar cada vez mais presente no horizonte político nacional.

O erro continua. Dilma após a eleição em 2014, quis fazer um conluio (não dá pra chamar de outra coisa) com as mesmas pessoas que lhe quiseram a cabeça com uma maçã na boca, no ideal romantizado da escolha da maioria como elemento pacificador das profundas divisões existentes na sociedade brasileira e que ficaram patentes em pólos político-partidários.

Lula foi alvejado, axincalhado, e tem a própria liberdade em risco. E fala em respeito à democracia. Eu, ouvindo o ex-presidente, quase acreditaria que a situação institucional desse pardieiro estivesse prestes a se normalizar, já que a democracia está em vigor. De que raios ele fala? Quais os códigos estão em atuação no atual momento?

Entendo: A casa em chamas e o olhar nas colheitas primaveris. Como se a eleição fosse um jogo no qual o derrotado acataria o resultado após o investimento político e econômico que reduziu o país a um lugar pequeno, ao qual sempre esteve acotumado no tabuleiro mundial. Como se do Planalto viria o magistral plano de desmobilização de uma direita rançosa, vingativa e com ódio viperino da esquerda e de suas representações, mesmo que falsas. Escuto os espantos, as manifestações de respeito às instituições, e me choca como parece que o que aconteceu ao Lula fosse rio brotado em deserto seco. Assim como o que fizeram a Marielle.

Os pretos continuam a pagar o preço por todos os erros e acertos. Morremos a rodo na bonança, e continuamos a morrer no caos. As balas hoje nos nossos corpos são os desdobramento de um histórico calcado na resolução dos conflitos pela violência, pela ótica da desvalorização da vida. Por mais democrático que o país tenha se sentido, esta capa violenta sempre esteve presente, se fazendo de “pacificador” nos acertos e desacertos.
No fundo, esperança no quê de fato? Se for nas perspectivas políticas que tem se apresentado como solução do atual momento, uma “esperança desesperançada” toma forma, como esperar a água cair de uma jarra vazia. A solução me parece vir na fé em nós mesmos, por mais anti-tudo que isto possa parecer.

Realmente me incomoda estarmos a mercê das jogadas, das negociações de bastidores, dos conluios, das bravatas palanqueiras, da comoção seletiva, das desonras em morte.

Talvez o que pacifique seja o conflito. Que seja um conflito deles. Aberto, para quem sabe o horror trazido às casas e vidas dos distintos mostre-lhes a insensatez dos presentes atos e das ações que tem sido cometidas “aos fora do pleito”, de tez escura que sempre são o objeto dos discursos e argumentações, sejam por motivos “nobres” ou de justiciamento,  baseados nas ações sem real dotação, com pouco empenho real na resolução dos problemas que acometem-nos.

Que nos deixem de fora, já que sem conflito, mas com massacre, chacina, o brasil é mestre.

Se massacre pacificasse, o brasil seria o melhor lugar do mundo pra se viver.

Obs:
Notícias sobre os tiros a Lula: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43578246