As balas enquanto a política do (não) diálogo

Por: Tago E. Dahoma

Eu to querendo saber em que país se pacificou uma situação de ódio sem ser por conflito armado. Em quais lugares uma clivagem tão forte foi amansada em uma união pelo jogo democrático, nas urnas, sem antes haver o choque armado. Uma dúvida real e que parece estar cada vez mais presente no horizonte político nacional.

O erro continua. Dilma após a eleição em 2014, quis fazer um conluio (não dá pra chamar de outra coisa) com as mesmas pessoas que lhe quiseram a cabeça com uma maçã na boca, no ideal romantizado da escolha da maioria como elemento pacificador das profundas divisões existentes na sociedade brasileira e que ficaram patentes em pólos político-partidários.

Lula foi alvejado, axincalhado, e tem a própria liberdade em risco. E fala em respeito à democracia. Eu, ouvindo o ex-presidente, quase acreditaria que a situação institucional desse pardieiro estivesse prestes a se normalizar, já que a democracia está em vigor. De que raios ele fala? Quais os códigos estão em atuação no atual momento?

Entendo: A casa em chamas e o olhar nas colheitas primaveris. Como se a eleição fosse um jogo no qual o derrotado acataria o resultado após o investimento político e econômico que reduziu o país a um lugar pequeno, ao qual sempre esteve acotumado no tabuleiro mundial. Como se do Planalto viria o magistral plano de desmobilização de uma direita rançosa, vingativa e com ódio viperino da esquerda e de suas representações, mesmo que falsas. Escuto os espantos, as manifestações de respeito às instituições, e me choca como parece que o que aconteceu ao Lula fosse rio brotado em deserto seco. Assim como o que fizeram a Marielle.

Os pretos continuam a pagar o preço por todos os erros e acertos. Morremos a rodo na bonança, e continuamos a morrer no caos. As balas hoje nos nossos corpos são os desdobramento de um histórico calcado na resolução dos conflitos pela violência, pela ótica da desvalorização da vida. Por mais democrático que o país tenha se sentido, esta capa violenta sempre esteve presente, se fazendo de “pacificador” nos acertos e desacertos.
No fundo, esperança no quê de fato? Se for nas perspectivas políticas que tem se apresentado como solução do atual momento, uma “esperança desesperançada” toma forma, como esperar a água cair de uma jarra vazia. A solução me parece vir na fé em nós mesmos, por mais anti-tudo que isto possa parecer.

Realmente me incomoda estarmos a mercê das jogadas, das negociações de bastidores, dos conluios, das bravatas palanqueiras, da comoção seletiva, das desonras em morte.

Talvez o que pacifique seja o conflito. Que seja um conflito deles. Aberto, para quem sabe o horror trazido às casas e vidas dos distintos mostre-lhes a insensatez dos presentes atos e das ações que tem sido cometidas “aos fora do pleito”, de tez escura que sempre são o objeto dos discursos e argumentações, sejam por motivos “nobres” ou de justiciamento,  baseados nas ações sem real dotação, com pouco empenho real na resolução dos problemas que acometem-nos.

Que nos deixem de fora, já que sem conflito, mas com massacre, chacina, o brasil é mestre.

Se massacre pacificasse, o brasil seria o melhor lugar do mundo pra se viver.

Obs:
Notícias sobre os tiros a Lula: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43578246

 

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Publicado por

papiroindomito

"Uma espada que ao mesmo tempo tem o gume cortante e se enferruja". O dizer de si sempre é o rescaldo das nossas impressões nas outras pessoas. Ora tranquilo, ora gélido, ora paisagem nas suas diversas estações do ano..

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